Teologia da Libertação: Memória e compromisso

Sermos “Igreja em saída”, exige a força testemunhal da Teologia da Libertação.

por Eduardo Brasileiro e Vinicius Lima
Teologia da Libertação
Procissão do Senhor Morto na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Itaquera – São Paulo. Foto : Teologia Libertação WordPress

Sepultamos para não ver mais aquilo que deixou de ser o que era e, já não encanta mais o olhar. Sepultamos pessoas, ideias e códigos de comportamento. Sepultamos sonhos tornados pesadelos. Sepultamos ideias obsoletas e ideais esgarçados pelo tempo. Sepultamos desejos, os mais secretos. (Pe. Paulo Sérgio Bezerra)

Ao encerrarmos este tempo quaresmal ocupamos as ruas com o anúncio de seu tema e lema, sob o madeiro da cruz. Igreja e Sociedade convoca a uma análise institucional da Igreja e sobretudo, uma inserção maior dela na vida das ruas e dos movimentos sociais. Portanto, pensar hoje a Teologia da Libertação é proclamar:

À beira da sepultura, paradoxalmente, pode acontecer o acordar da consciência para o que virá depois. Encerramos a Procissão do Senhor Morto de 2015 pensando na crise política pela qual passa o Brasil. “Pela frequência e pelas peculiaridades de suas demandas, vai ficando claro que a multidão é novo sujeito da sociedade brasileira. Novo sujeito do processo político em conflito com os velhos sujeitos, os da política como ação de estereótipos, os do cidadão aprisionado na camisa de força de conceitos rígidos forjados ainda na cultura da luta de classes. Mas multidão não é classe nem é raça. As multidões foram às ruas para questionar não apenas a corrupção e a mentira, mas para questionar, também, a ambição de poder pelo poder, o propósito do poder sem a contrapartida do dever” No entanto,  “a multidão é a multidão, identidade temporária e provisória que esgota sua significação e sua função na fração de tempo em que se manifesta nas ruas e no modo como se expressa. É um sujeito que se dissolve no fim da festa”. (http://www.ihu.unisinos.br/noticias/541146-sujeito-multidao-artigo-de-jose-de-souza-martins).

Sepultemos, como semente,  “as alegrias e as esperanças das pessoas do nosso tempo” (GS, 1) no aguardo, apesar de tudo, do que poderá vir-a-ser. “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, permanece apenas grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto” (Jo 12, 24).

Foto da Procissão do Senhor Morto na Paróquia N. Senhora do Carmo.  Acervo: teologialibertação.wordpress.com
Foto da Procissão do Senhor Morto na Paróquia N. Senhora do Carmo.
Acervo: teologialibertação.wordpress.com

A Campanha da Fraternidade, durante a Quaresma de 2015, sob o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade”,  com o lema –  “Eu vim para servir” (Mc 10, 45), – nos convocou ao insistente apelo do PP. Francisco a sermos “Igreja em saída”. “Igreja e Sociedade” é um tema amplo e complexo. Entre outras realidades e dimensões, o tema nos remete à Economia, à Política, à Cultura, à Religião, às Relações Sociais, às Questões de Gênero, ao Sistema de Comunicação, etc. O Senhor pede que sejamos “sal da terra e luz do mundo”. A partir da opção preferencial pelos pobres,  – plataforma de transformação da sociedade -, assumamos as pautas das questões sociais com a pré-disposição de servir – a exemplo do Senhor que lavou os pés dos seus discípulos!

Pe. Paulo Sérgio Bezerra
Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, Itaquera. São Paulo – SP.

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