ATREVER-SE A TECER A DIVERSIDADE

Desafios para uma teologia libertadora

Por Geraldina Céspedes.

A ordem mundial estabelecida não sabe lidar com a diversidade e em muitos lugares a associa ao conflito, à violência ou à criminalidade, tal como faz com os migrantes. Não favorece a educação para a diversidade e para a boa convivência intercultural e inter-religiosa. Isso acontece também em nossas Igrejas e em nossas teologias, que muitas vezes não sabem gerenciar bem a riqueza da diversidade.

Um dos desafios da Teologia da Libertação é continuar tecendo a diversidade, tanto em nível macro quanto na vida cotidiana. A diversidade não se mostra somente nos diferentes fios e nas diferentes cores dos fios com as quais se produz um tecido, mas também nas diferentes técnicas usadas. No caso dos tecidos de teares da Guatemala, fala-se de mais de onze técnicas diferentes para tecido.

Descer da cruz todos aqueles que estão nela.
Descer da cruz todos aqueles que estão nela.

Existem quatro aspectos a considerar uma mudança radical de todas as expressões religiosas: 1) Deixar de compreender as religiões e culturas como realidades estáticas em evolução. Gosto de dizer que devem deixar de ser depósitos estagnados para ser fontes em movimento. Também aqui seria necessário deixar a visão romântica e idealizada de nossas religiões e culturas para uma visão crítica e realista; 2) Revisar a imagem de Deus, como entendemos a divindade. Está é uma questão crucial na teologia da libertação, visto que todos e todas funcionamos a partir de uma determinada imagem de Deus que pode ser libertadora ou legitimadora de práticas e discursos racistas, classistas, sexistas, militaristas, colonialistas ou imperialistas. As religiões e as culturas precisam se atrever a uma “limpeza dentro de sua própria casa” e “jogar no lixo” todos aqueles elementos que não fazem parte de sua essência profunda. 3) Potencializar a consciência de alteridade, pois o verdadeiro acesso ao mistério passa pelo reconhecimento e pela aceitação do outro e da outra. A acolhida de alteridade como um principio teológico nos leva a crescer no respeito reverencial pelo mistério da outra e do outro e por suas manifestações espirituais e culturais. Isso, supõe que saibamos assumir o choque da alteridade, pois ao nos aproximar daquele que é diferente podemos nos sentir sacudidos e escandalizados. 4) Recuperar as entranhas místicas e proféticas das religiões e das culturas que são as molas capazes de sustentar nossas lutas e de oferecer uma contribuição significativa para a transformação de nossa realidade. Para recuperar este horizonte místico e profético, as religiões e as culturas precisam de um exercício de baixar ao fundo, de encontrar-se com o melhor de sua fonte para colocá-lo sobre a mesa e compartilhá-lo.

Geraldina Céspedes, op. Professora de Teologia da Universidade Rafael Landívar, cofundadora e coordenadora do núcleo  Mujeres y Teología, na Guatemala.

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