A GREVE DOS PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO

Por, Alexandre Ruiz.

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dos passos, ela se afasta dois passos.
Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.
Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.
Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”
(Eduardo Galeano) (+ em 12 abr 2015)

     No dia 13 de março decidimos, em assembleia, entrarmos em greve. Não foi uma decisão tomada do nada, a Escola Pública Estadual está sendo sucateada por todos os lados e cada vez mais vemos que a escola das filhas e dos filhos dos trabalhadores não é prioridade para o Governo Estadual. A situação vem piorando há anos e chegamos no limite da nossa paciência.

     Começamos o ano sabendo que vários trabalhadores da Educação ficaram sem emprego. O Governo fechou 3.390 salas de aula, dramático para estes trabalhadores da Educação que ficaram sem emprego e dramático também para aqueles que continuaram na Rede. As salas de aula ficaram superlotadas, a Escola Estadual Salim Farah Maluf, na Zona Leste, começou o ano letivo com 85 alunos em sala: absurdo total (http://odia.ig.com.br/noticia/educacao/2015-02-10/escolas-estaduais-comecam-aulas-com-ate-85-alunos-por-sala-em-sao-paulo.html).

      Nas Escolas Estaduais, há vários anos, falta praticamente tudo: não há máquina copiadora; os professores, com o seu dinheiro, mandam copiar as avaliações dos alunos; os poucos aparelhos eletrônicos não têm manutenção – a maioria não funciona.

Greve dos Professores em São Paulo, 2015
Greve dos Professores em São Paulo, 2015

Iniciamos o ano com os diretores pedindo para que levássemos papel higiênico, pois a verba que a escola tinha para comprar até aquele momento havia sido cortada; ficamos sabendo que também não tínhamos mais giz! Até isso nos tiraram!       Muitas Escolas estão com problemas estruturais sérios.

      A violência tomou conta das Escolas: professores agredidos, ameaçados e as Escolas mais se parecem presídios do que um lugar agradável para a aprendizagem.

     Enfrentamos de falta de material, estrutura, pessoal, entre outros. O Governo mente ao dizer que deu 45% de aumento em 4 anos. Sou profissional, estudei muito para tornar-me um professor de qualidade, exijo respeito desse governador que aumentou o seu salário e o salário dos seus secretários, que aumentou em R$ 1000,00 o salário dos diretores e quando chegou a nossa vez de reivindicar aumento ele nos diz que não teremos aumento esse ano. Ele brada: “ZERO DE AUMENTO”.

     Alguns dizem que se não estamos satisfeitos que deixemos a educação. Digo: “NÃO, NÃO DEIXO A EDUCAÇÃO”. Digo “SIM, SIM” para uma educação de qualidade para as filhas e filhos dos trabalhadores.

GREVE DOS PROFESSORES EM  SÃO PAULO  10/05/2013. Confronto entre policiais e manifestantes durante assembléia dos professores da rede estadual de ensino na avenida paulista.  FOTO: JF DIORIO/ ESTADÃO
GREVE DOS PROFESSORES EM SÃO PAULO 10/05/2013. Confronto entre policiais e manifestantes durante assembléia dos professores da rede estadual de ensino na avenida paulista. FOTO: JF DIORIO/ ESTADÃO

     Queremos salários dignos para nós, queremos condições de trabalho, queremos que não haja diferença entre professores com várias divisões em categorias, queremos respeito aos professores aposentados. Queremos e exigimos RESPEITO.

      Exigimos que o Governador abra diálogo e venha conversar sobre as reivindicações:

·         PLANO de composição para um aumento de 75,33% para equiparação salarial com as demais categorias de nível superior, rumo ao piso do DIEESE. Não estamos pedindo isso de uma vez, mas que o próprio Governo faça um plano para que nossa categoria se equipare às outras com nível superior;

·         Conversão do bônus em reajuste salarial. Aposentado não ganha bônus, bônus não está incorporado ao salário do professor;

·         Implantação da jornada do piso: lei federal que o Governo do Estado de São Paulo não cumpre;

·         Reabertura das salas fechadas;

·         Máximo de 25 alunos por sala;

·         Nem “quarentena”, nem “duzentena” para os professores categoria “O”. Após determinado período esses professores têm que ficar 200 dias sem poder trabalhar para não criar vínculo empregatício;

·         Por uma nova forma de contratação de professores temporários, com garantia de direitos;

·         Fim do corte de verbas para as escolas;

·         Continuidade do transporte escolar gratuito para os estudantes;

·         Contra o projeto de lei da terceirização (PL 4330);

·         Contra a redução da maioridade penal

     Concluindo, queremos um plano de reposição salarial. Exigimos respeito desse Governo intransigente que não quer dialogar com os professores, pois incomodamos e mostramos a mazela que atinge a Educação Pública Estadual. Mostramos a real maneira de como ele cuida da Educação das filhas e filhos dos trabalhadores. Gritamos como estamos gritando em todas as nossas caminhadas e dizemos ao “Sr.” Governador: “NÃO TEM ARREGO”!

Professora em manifestação 'enfrentando' a tropa de choque.
Professora em manifestação ‘enfrentando’ a tropa de choque.

Professor, com orgulho!

AutorAlexandre Ruiz,

Catequista de Crisma e professor de Matemática, da Rede Estadual de Ensino.

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