Manifesto ‘Igreja e Sexualidades: um diálogo necessário’.

joãozinho30

O que queremos?
Igreja – Povo de Deus – em Movimento, há 5 anos presente na Zona Leste de São Paulo, articulada por diversas paróquias e formada por leigos(as), religiosos (as) e padres, busca promover um diálogo sobre as respostas da teologia e da sociedade à emergência de questões relativas à(s) sexualidade(s) no mundo contemporâneo. Um coletivo que enseja irmanar experiências religiosas que sirvam à luta pela dignidade humana, com o enfoque “Religiões Construtoras de Justiça e Paz”.

Para tanto, é necessário abrir espaço em meios eclesiais para um debate sério que aborde a profundidade da condição humana, numa teologia de corpos que dialogam, se cuidam e se permitem ser.

Perseguindo, neste ano, o ideal de fé oposta ao puritanismo, que enseja uma espiritualidade vivida sem corpo, propomos uma vivência que é festa e percepção; é sentir-se, manifestar e desejar. Assim, partindo da experiência católica, nos unimos aos membros de outras confissões como cidadãos que acreditam numa espiritualidade enraizada.

A sociedade e a ameaça conservadora

O ano de 2015 tem se mostrado um período de questionamento aos direitos das pessoas e uma onda de reação vem se insurgindo contra minorias e setores sociais mais vulneráveis. Especialmente partindo de grupos que se intitulam servidores de uma “bancada de Deus”, composta não só pelos assim denominados “evangélicos”, mas também por religiosos de várias instâncias, busca-se reiteradamente impedir o acesso aos direitos, especialmente à população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais).

Sendo assim, perfila-se nos caminhos da Igreja Católica um pensamento que segrega seus membros que se autodenominam gays, e impede uma visão realista sobre o papel do corpo e das sexualidades na construção da identidade humana.

Na contramão do ódio reinante, presenciamos a resistência de grupos que surgiram como resposta à opressão sofrida, mas também como propositores de uma nova ética do cuidado, pautada na pluralidade teológica que aponta para novas vivências entre a fé professada, celebrada e vivida. Nos referimos aos coletivos como o  “Grupo de Ação Pastoral da Diversidade”, em São Paulo, não reconhecido pela Igreja como pastoral,   que se reúne quinzenalmente para celebrar a eucarística e viver o evangelho comunitariamente.  Ou a recém criada Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT. A Pastoral da Juventude também colocou em seus eixos de trabalho de 2015 no seu encontro nacional (ENPJ), em Manaus, janeiro de 2015, um eixo que engloba relações de gênero, sexualidades, afetividades, diversidade e corporeidade, contribuindo assim “para a defesa da dignidade da pessoa humana e para a construção de relações mais respeitosas, amorosas, igualitárias, dialógicas e horizontais.”

De uma espiritualidade do fora mundo para espiritualidades do viver o outro.

espiritualidadeUma época de conflitos nos caminhos de espiritualidade não é algo novo. No entanto, os espaços institucionais optam cada vez mais por separar o corpo da “alma”, deixando de encarnar e viver o toque do coração do outro.

A espiritualidade precisa ser compreendida de maneira ampla. Pode se relacionar com a vivência religiosa, mas também com o mais profundo da vida, da existência. A espiritualidade de uma pessoa ou comunidade, em última instância, é a vontade de viver, o que a inspira, seus desejos, suas utopias. É evidente, no entanto, que há espiritualidades que reforçam situações de morte e exclusão, como a espiritualidade do capital, que dizendo propagar a vida, se guia pelo fôlego do sacrifício. Por isso, é importante estabelecer critérios para se interpretar as vivências espirituais, como a compaixão em relação às vítimas que carregam em seus corpos e histórias o peso da cruz da injustiça.

Provocado por esses motivos que aqui expomos, convidamos os que ainda não confirmaram presença, para vir conosco e com o convidado Padre Beto a debater esse tema na manhã de dia 30 de maio, sábado, das 8h30 às 13h, contando também com a mensagem virtual de Jean Wyllys (Deputado Federal, PSOL-RJ), possibilitando-nos sonhar uma espiritualidade libertadora que se encruzilha com os desafios do mundo no debate Igreja e Sexualidades: um diálogo necessário.

Igreja e Sexualidade

Coordenação Geral da Igreja Povo de Deus em Movimento.

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