DOM CLEMENTE ISNARD: Reflexões de um Bispo sobre as instituições eclesiásticas atuais

11707453_1091902557503769_8979324904138532998_nHá 4 anos, o ex-vice-presidente da CNBB, com de 94 anos nos deixou, mas seu legado não.

Dom Clemente Isnard teve coragem em 2008 de publicar o livro: Reflexões de um Bispo sobre as instituições eclesiásticas atuais, que reflete as questões relacionadas às nomeações de bispos, o celibato dos padres, as ordenações femininas e sobre os bispos eméritos.

Ele foi um bispo maduro, corajoso e oportuno. Maduro, porque foi a partir de grandes anos de reflexão, oração e ação pastoral em sua vida que ele chegou a tal estado de consciência. Corajoso, porque tornaram transparentes na Igreja muitas questões que muitos padres, bispo e papas sabem (ou souberam), mas que não tiveram coragem de falar publicamente. Oportuno, porque os tempos históricos atravessados pela Igreja exigem reflexão e transparência.

Eis a carta sobre seu livro.

Quem tem medo da verdade?

Quem quer calar os Profetas?
Quem quer zerar o Concílio Vaticano II
e voltar para a Igreja-Poder e para a centralização vaticana?
(João Tavares)

No dia oito de julho do ano passado, completei noventa anos e, a convite de um grande amigo, pe. José Romero Rodrigues de Freitas, vim a Recife para festejar a data com os amigos daqui. Celebrei a Missa na Igreja das Fronteiras, onde está bem viva a lembrança de nosso inesquecível Dom Helder Camara, com muitos concelebrantes e mais duas centenas de amigos. No meu sermão terminei, depois de narrar os quatro períodos de minha longa vida, aludindo a um projeto de futuro. Que ousadia era fazer projetos aos noventa anos! E dizia: reatando com a mocidade, lutar pelo Movimento Litúrgico, pelo Concílio Vaticano II, por uma Igreja sem Núncio Apostólico e sem Cúria Romana (entenda-se sem a Cúria Hiperatrofiada de hoje).

Ouviu esse sermão o grande teólogo José Comblin, que me animou a escrever. No segundo semestre de 2007 escrevi um livrinho com o título de “O que o Concílio não fez” e pedi ao padre Comblin para ler antes da publicação e escrever o Prefácio. O que ele fez, sugerindo uma mudança de título para “Reflexões de Um Bispo sobre as Instituições Eclesiásticas”.

Em dezembro de 2007 procurei a Editora Paulus para publicar o livro. Aceitou a incumbência e conversei com muitas pessoas sobre o conteúdo do livro. Em fevereiro fui surpreendido por um telefonema da Paulus dizendo que o livro estava pronto para publicação, mas que não poderiam editar por terem recebido uma proibição do Núncio Apostólico,Dom Lourenzo Baldisseri. Não procurei diálogo com essa autoridade eclesiástica que não me procurou diretamente, mas se dirigiu por cima de minha cabeça à Editora. No mês de março, estando em Recife, recebi uma atenciosa carta do Regional Leste 1, assinada por todos os bispos do mesmo Regional. Nessa carta pediam que eu não publicasse o livro.

193981_reflexoes-de-um-bispo-sobre-as-instituicoes-eclesiasticas-atuais-649725_M1Evidentemente, a opinião unânime dos bispos da região me confundiu, mas não me convenceu. Respondi a cada um dos companheiros uma carta do mesmo teor, em que estranhava que tivessem condenado o livro sem o ter lido (não sei qual dos bispos o teria lido) desprezando a opinião de um teólogo que já publicou mais de 50 obras e que tinha corrigido o livro e redigido o Prefácio, Padre José Comblin.

Como sou teimoso, consegui uma editora que se interessou pelo assunto do livro e se ofereceu para publicá-lo. A Igreja tem um organismo em Roma encarregado de examinar a doutrina dos livros que se publicam no mundo inteiro. Mas o meu livro nada tem contra a doutrina da Igreja. É um livro não de doutrina, mas de disciplina da Igreja que tem variado incessantemente nesses dois mil anos de vida, e ainda recentemente teve um Concílio Ecumênico de Reforma, o Vaticano II.

O Concílio Vaticano II foi elogiado pelo Papa Paulo VI, que o presidiu depois de João XXIII, como um dos maiores e melhores Concílios da História da Igreja pelo número de participantes, pelo número de documentos promulgados, e pela extensão de sua preocupação também com a vida da humanidade. No Concílio eu me habituei com as lutas internas da Igreja, que não terminaram. Há muitas coisas nas Instituições Eclesiásticas que deveriam ter sido corrigidas. Coisas grandes e pequenas. O Concílio fez muito mas não pode fazer tudo. Será que João XXIII teria presidido melhor que Paulo VI ? Agora é preciso abordar os temas que foram tocados pelo Concílio mas não concluídos, para que sejam resolvidos por quem de direito.

São grandes os problemas da Igreja hoje: A nomeação dos Bispos, os Bispos Auxiliares e os Eméritos, o Celibato Sacerdotal e a Exclusão das mulheres do Sacramento da Ordem. Desses cinco assuntos é que trata o livro que será lançado no dia 13, às 19:00hs, na Igreja das Fronteiras em Recife.

Os que se interessarem por esses problemas da Igreja devem procurar companheiros e organizar grupos de estudo, para aprofundamento dos assuntos e procura de soluções.

Dom Clemente Isnard, era Bispo Emérito de Nova Friburgo, Rio de Janeiro, quando publicou a obra. Uma das grandes referências de liturgia da Igreja no Brasil. Exerceu inúmeras atividades, tendo destacada atuação no Concílio Ecumênico Vaticano II em relação à liturgia. Foi membro do Conselho Federal de Cultura (1961), do Conselho Estadual de Educação (1961-1964) e do Conselho para Execução da Constituição de Liturgia (1964-1969).

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