O Silêncio de Pilatos: O silêncio dos “cristãos”

Por Leandro Meireles

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Um dos episódios evangélicos que sempre me levam à meditação é aquele em que Jesus é apresentado a Pôncio Pilatos para ser condenado à morte.

Nesse episódio,  as autoridades religiosas, que muito lucravam com a opressão, tecem uma rede de mentiras a fim de conduzir Jesus Nazareno à morte.

Acusam-no de muitas coisas: de agitador, de pretender ocupar o trono de Cesar, de blasfemo e herege, etc, contudo, o único crime de Jesus foi fazer dos pobres e de sua causa a sua opção preferencial e anunciar a eles a boa nova do Reino. Reino este onde não haveria opressores e nem oprimidos, mas apenas irmãos.

Pilatos sabia de tudo o que acusavam o Cristo e sabia, também , que Ele era inocente. Todavia, porque temia perder seu posto, seu cargo, lava as mãos entregando um inocente à morte e tornando-se conivente com os que tramaram a morte do justo.

Nos dias de hoje, na capital paulista, tenho pensado e chorado pelo silêncio de muitos que, como Pilatos, lavam as mãos diante das barbaridades que acontecem com o único objetivo de não perder sua posição, seus privilégios (ou ilusão de privilégios), em outras palavras, para defenderem seus interesses.

O governador de São Paulo decreta sigilo sobre os documentos da Sabesp e do Metrô – que podem incriminá-lo até a alma-, além de fechar mais de 100 escolas, precarizando ainda mais o ensino publico;

O governo municipal decreta sigilo sobre os documentos e imagens da GCM (maior inimiga da população de rua, que age com truculência contra os pobres) para esconder sua política higienista.

1001000_151109348412140_2118483521_nO secretário  municipal de Direitos Humanos, Eduardo Suplicy, tomado como herói por dar cheque para grupo de moradores de rua que ocupara um espaço público na luta pela moradia, enquanto tudo o que ele queria era, na verdade, silenciar a luta do povo e iludi-los, comprando a saída deles afim de facilitar a política higienista do prefeito Haddad.

E diante de todos esses fatos- e muitos outros, que não relato aqui para não tornar este texto longo demais – paira um silêncio enlouquecedor, um crime de omissão de toda a socicedade.
O que mais dói é ver homens e mulheres que portam a Bíblia na mão e o Crucificado no peito, preocupados apenas com seus mesquinhos interesses, reproduzindo discursos fascistas de uma classe ao qual pensam, em seus devaneios, que pertencem ou pertencerão.

Aplaudem a corrupção do pseudo-cristão, Eduardo Cunha, e dizem quem ele deve se esforçar pra derrubar a presidente antes que ele caia.

Lavam as mãos para a morte dos pobres e sujam-nas, de novo, aplaudindo e saudando os que oprimem o povo.

Tendo isso diante dos olhos o coração aperta, a mente turva e um desânimo cerca-me. Surge um questionamento: vale apena ser cristão nos dias de hoje?

Lembro-me da canção que meus avós me ensinaram: ” Se parecer, em tua vida, inútil caminhar, lembras que abres caminho e outros te seguirão”. Renovo a fé e suplico a Javé, o Deus libertador, que faça surgir nessa terra Cristãos comprometidos com a causa dos pobres, cuja fé viva, a esperança certa, e a caridade perfeita, gere mudanças profundas na história em favor dos pequeninos do Reino.

Sigo olhando para os lados, procurando esses Cristãos, para unir-me a eles para renovar a fé e firmar-me na esperança.

E enquanto sigo repito: “Por causa do meu povo machucado que acredito em religião libertadora!”.

11895955_972182162845946_5754166492483634993_nLeandro Meireles.

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