O espírito do natal em época de resistência

pasocial2O Natal ainda é uma época que ainda me confunde muito. Nunca sei bem se realmente há beleza, bondade e gratuidade ou se o “Espírito do Natal” do Capitalismo ocupa de vez o lugar do “Espírito do Natal” do Menino de Belém. 

São perspectivas tão diferentes, mas se manifestam associadas a cada ano. Parece que cada vez mais fica esquecido o Deus-Menino messias dos pobres, a cada vitória triunfante das mercadorias-fetiches que fazem olhos brilhar.

Não pode, não dá… o “Espírito do Natal” (na religião do capitalismo) aparenta solidariedade e bondade, mas esconde seu verdadeiro rosto: muitas vezes hipocrisia, cinismo e ostentação. Tanta gente que faz “caridade” para disfarçar a sua verdadeira atitude de apatia e conivência com a desigualdade social, a exploração no mundo do trabalho e a exclusão de milhares de irmãos e irmãs, rejeitados durante o ano todo, como a família de Nazaré. A “caridade” de quem tem pretensões políticas, de quem quer ser visto e admirado como “gente de bem”. Muitas atitudes “bonitas” do Natal escondem interesses e “investimento” de construir uma boa imagem pública.

Fala-se da Estrela de Belém, mas o que brilha são as luzes dos centros comerciais, das mesas repletas que esbanjam, dos fogos que anunciam uma felicidade duvidosa…

Precisamos resistir bravamente! Manter acesso a frágil chama do Espírito do Natal de Belém, que ameaça derrubar os poderosos de seus tronos, aquele do Menino-Deus que fica com os mais pobres, que conspira contra a ostentação, contra o desperdício, contra a indiferença, contra a negação da vida.

Perseverar em um espírito de Natal que nos mova em direção a um mundo psocialmelhor, que incomode a ordem, que promova um cristianismo de amor sem limites. 
Amigas e amigos, tenhamos um Feliz e Santo Natal, mas daquele tipo de Natal em que a porta fica entreaberta, e a cada segundo o Messias pode entrar.

Neste “Feliz Natal”, Deus esvazia-se de sua plenitude para assumir a condição humana. Enquanto muita gente quer ser como Deus, Ele se humaniza.
Mas não em qualquer lugar, mas com os pobres, os excluídos, os pastores… não nos palácios, nem nos banquetes. Encarna-se junto àqueles que ameaçam os poderosos, os tronos e querem encher de bens os famintos… 
Como naquela noite em Belém, compartilho esta esperança de amor.

Este é um verdadeiro Natal insurgente
Quando eu penso na noite de natal de Maria e José, recebendo ao mundo o Menino que nos foi dado, fico pensando na esperança profética que invadiu aquele local.
Acho que o verdadeiro espírito de Natal é um espírito de conspiração, de rebelião, de insurgir-se… bem daquele jeito que deve ter sonhado Maria e José naquela noite em Belém…

Que fantástica Boa-Nova (para quem está do lado de cá das barricadas): Nasceu o Messias. Que tremam os poderosos, os indiferentes, os acomodados…

Um Natal do Senhor contra o Natal dos Senhores Mercado, Mercadoria e Capital. Um Senhor que nasce pobre, entre os pobres como boa notícia para os excluídos e ameaça aos privilegiados. Um Natal profético e carregado da expectativa de vida nova e digna para todos! Um Natal de partilha de sonhos, utopias e de vida. Um Natal destes, que eu desejo para minha família e também para todos vocês!

482210_619246821425240_4089543_nAllan Coelho, é doutor em ciência da religião (UMESP) e docente do curso de filosofia da UNIFEG.

 

 

Publicado originalmente em no Conjurar a esperança: Blog: http://conjuraresperanca.blogspot.com.br/2014/12/o-espirito-de-natal-em-epoca-de.html

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