Dom Helder: um olhar sobre a cidade

531853_407548926002665_1378601545_nQuando um Leigo, uma Religiosa ou um Padre são amigos de verdade dos Pobres e fazem de tudo para ajudá-los – com alimentos, roupas, remédios, consertos de casa, pagamento de dívidas – como são entendidos e louvados… Se este mesmo Leigo, esta Religiosa, este Padre, sempre por amor aos Pobres, e sem deixar de acudi-los em suas necessidades começam a falar em direitos dos Pobres e em deveres dos Ricos, começam a falar em justiça, acabou-se a compreensão. Parece que eles foram mordidos por Pessoas perigosas e que estão assumindo uma linguagem perigosa, entrando de política a dentro e, se não são comunistas, estão fazendo o jogo deles… Nada disso! Eis como o problema se coloca. Caridade é Amor. Amor é Deus. O Amor e a Caridade são infinitos como Deus. Ninguém é capaz de abranger totalmente o Amor, a Caridade, como ninguém pode abranger totalmente a Deus. Quase que cada geração ou cada século descobre alguns ângulos de Caridade. Ora, o nosso tempo é marcado por injustiças terríveis. As Nações Unidas dizem certo quando afirmam que, em nossos dias, mais 2/3 da Humanidade se acham em condição abaixo da condição humana, sub-humana, de miséria e de fome. Em áreas como a nossa, a realidade aí está, tristíssima, confirmando plenamente o que as Nações Unidas proclamam. Sendo assim – e é assim – guardando sempre o cuidado de acudir o Irmão ou a Irmã que está em necessidade e precisando de nós, a Gente acaba descobrindo que uma das grandes Caridades do nosso tempo é ajudar a obter justiça, no amor. Que vai haver levante pela justiça, vai. Os Cristãos não queremos ódio em nosso coração. Sabemos que o ódio é o contrário do Amor. Deus é amor, o Ódio é o anti-Deus. Os Cristãos sabem que violência atrai violência e sabem, ainda mais, que é loucura apelar para as armas. Nossas armas são diferentes. Cremos em nosso irmão, não para pisar direitos dos outros, mas para não deixar que ninguém venha pisar os direitos do Povo, que não são presentes, nem de Governo, nem de Ricos. São presentes do Criador e Pai. Mas eis o que é curioso: aquelas mesmas Pessoas que eram louvadas e tidas como santas passam a ser julgadas como fazendo política, e sendo subversivas e comunistas. Como esquecer a 8ª Bem-aventurança, Cristo proclama felizes os que sofrem por amor da Justiça!…

(Dom Hélder Camara – 14 de agosto de 1981 – No programa “Um Olhar sobre a cidade”, da Rádio Olinda.)

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