Teologia Feminista: reconstruir nossas tradições religiosas com esta perspectiva

“Nossa tradição religiosa vem das mulheres que ressuscitaram Jesus com sua espera audaciosa e persistente: “onde colocaram o corpo de quem eu amo?” – elas perguntavam com o zelo de quem cultiva um orgasmo, arrisca um jardim, desenha um doce, faz o salário chegar no fim do mês, apoia a amiga que vai abortar, organiza uma greve, alimenta a fome com a vontade de comer e lava as roupas ciente de que o que suja o mundo é o medo, a desigualdade e a opressão.” (Nancy Cardoso Pereira)

feminismo
Autor/a desconhecid@. Se alguém souber, envie para nós o nome que colocaremos.
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2 comentários sobre “Teologia Feminista: reconstruir nossas tradições religiosas com esta perspectiva

  1. david 10 de março de 2016 / 02:26

    Coloca o texto todo, contextualiza, frase solta é ruim.

    Cidadania
    Evangelho das Vadias: Cadê o Amarildo? – Nancy Cardoso Pereira
    Quarta-feira, 31 de julho de 2013 – 17h02min

    Pastora Metodista, Nancy é autora de Receitas de Vida: Na cozinha com Elias e Eliseu e de

    A Leitura Popular da Bíblia: À Procura da Moeda Perdida

    Eu sou daquela religião que espera pelo corpo com o corpo: ressuscitado! A espera se move pela paixão por tudo que é humano… tanta e toda capaz de enfrentar a morte: a cruz.

    Aborreço os senhores – horrorizai-vos – que querem travestir a fé de Jesus numa expressão obediente de louvores estéreis: não louvo pra que a “som livre” toque – deslouvado seja! Nem me deixo convencer pelo balbucio do senso comum da bondade: eu quero mais! Bem aventuradas as desobedientes porque elas quebram os espelhos de quem manipula deuses, ofertas & santidade.

    Minha religião é aquela entre outras de Jesus que goza com o corpo vivo, morre com o corpo solidário de paixão e ressuscita na espera ativa das mulheres que não admitem que a morte diga a última palavra: nem não!

    Não esperamos que nos deixem subir no altar, galgar posições e traficar influência como padres, pastores, profetas, ministros, bispos, arcebispos, cardeais, vigários & teólogos a granel. Esperamos a ressurreição do corpo com a menina dos olhos ardidas de desejo, gás de pimenta e sono.

    Nossa tradição religiosa vem das mulheres que ressuscitaram Jesus com sua espera audaciosa e persistente: “onde colocaram o corpo de quem eu amo?” – elas perguntavam com o zelo de quem cultiva um orgasmo, arrisca um jardim, desenha um doce, faz o salário chegar no fim do mês, apoia a amiga que vai abortar, organiza uma greve, alimenta a fome com a vontade de comer e lava as roupas ciente de que o que suja o mundo é o medo, a desigualdade e a opressão.

    Onde colocaram o corpo de quem eu amo? – diz Madalena.

    “Porque levaram embora o corpo do meu Senhor,

    e não sei onde O colocaram.” (Evangelho de João 20,13)

    Repetiam o gesto antigo de amante e mãe, companheira e irmã que insiste em saber:

    ” me digam onde colocaram o corpo e eu cuidarei dele…”

    (Evangelho de João 20,15)

    Reivindicam o corpo porque denunciam as muitas mortes e já não aceitam um deus que exige sacrifício, que justifica a injustiça ou atenua o desespero. Elas perguntam pelo corpo do homem morto e se atrevem com perfumes, os seios a mostra e panos, bandeiras e cartazes que desnudam toda pretensão das virtuosas.

    Herdamos o gesto des-esperado de Rispa que teve dois filhos mortos pela disputa pelo poder nos tempos do rei Davi… que uma história assim não se esquece! Aquele-no-governo disputava o poder na ponta da espada, na lógica do medo e traição e entregou para mercenários os 2 filhos de Rispa e outros 5 filhos de outra mulher. Os sete enforcados em praça pública, expostos como ação de polícia pacificadora… mas ninguém se atrevia a baixar os corpos, a assumir a morte, a dizer o que aconteceu.

    E a mulher antes de todas nós foi lá e fez:

    Então Rispa, filha de Aiá, tomou um pano de cilício, e estendeu-lho sobre uma

    penha, desde o princípio da sega até que a água do céu caiu sobre eles;

    e não deixou as aves do céu pousar sobre eles de dia, nem os animais

    do campo de noite. (2 Samuel 21,10)

    E ela perguntava pelos corpos dos filhos, pelos filhos da outra: sem cansar, sem desistir: onde está o responsável? quem tinha o poder de deixar que tirassem a vida do corpo desses meninos: que assuma! Que venha a público! Que se assuma a responsabilidade! E assim ela fez dias e dias, semanas e meses… até que o grande poderoso, violento e dissimulado rei Davi assumisse o crime: não foi ele… mas foi a política dele! Criminoso!

    e depois disto deus fez paz com a terra… (2 Samuel 21,14)

    Minha religião é essa, essa minha tradição, as apóstolas do direito, as herdeiras da coragem que move a esperança. Nós também queremos saber: Onde está o Amarildo da Rocinha? O que fizeram com ele? Quem fez? Quem vai assumir a responsabilidade? E nesse domingo e todos os outros necessários repetiremos o gesto amoroso de perguntar pelo corpo d@s filh@s do povo e todas as igrejas e comunidades que se comprometem com o evangelho de Jesus vão entoar o único cântico que deus acolhe:

    aonde está o teu irmão? aonde está tua irmã? (Gênesis 4)

    Curtido por 1 pessoa

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