A força dos pequenos: a Teologia da Libertação

FÓRUM GLOBAL DO POVO DE DEUS

*Leonardo Boff

Sempre que se celebra um Fórum Social Mundial, três dias antes, acontece também um Fórum Mundial da Teologia da Libertação. Participam mais de duas mil pessoas de todos os Continentes (Coreia do Sul, vários países de Africa, dos EUA, da Europa e de toda a América Latina) que praticam em seus trabalhos este tipo de teologia. Ela implica sempre ter um pé na realidade da pobreza e da miséria e outro pé na reflexão teológica e pastoral. Sem esse casamento não existe Teologia da Libertação que mereça esse nome. Continuar lendo

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Três em um, um Deus plural.

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André Rublev.

Celebra-se hoje, entre cristãos, o mistério – e que mistério! – da Santíssima Trindade.

 
O bonito disso, e compreensível também por não-crentes, é esse reconhecimento da diversidade, do múltiplo, do gregário. Em todos os aspectos da vida, em toda a natureza.
 
O monoteísmo não pode ser monotemático. “Sou vário, sou plural, sou mil”, dizia Mário de Andrade. Somos semelhantes a esse Deus da Trindade. Segundo frei João Reinert, franciscano, “o Pai/Mãe ama, o Filho/a é o amado, o Espírito é o amor, e é próprio do amor transbordar”. Criador, criatura, criação!
 
Qualquer totalitarismo unicista, que pretenda reduzir nossa pluralidade, é redutor, medíocre. Somos todos iguais, mas todos diferentes!
Chico Alencar

Pedro Casaldaliga: A PAZ inquieta!

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Arte: Aurélio Fred (retirado da página Ateliê 15)

 

A paz inquieta

Dá-nos, Senhor, aquela PAZ inquieta
Que denuncia a PAZ dos cemitérios
E a PAZ dos lucros fartos.

Dá-nos a PAZ que luta pela PAZ!
A PAZ que nos sacode
Com a urgência do Reino.
A PAZ que nos invade,
Com o vento do Espírito,
A rotina e o medo,
O sossego das praias
E a oração de refúgio.
A PAZ das armas rotas
Na derrota das armas.
A PAZ do pão da fome de justiça,
A PAZ da liberdade conquistada,
A PAZ que se faz “nossa”
Sem cercas nem fronteiras,
Que é tanto “Shalom” como “Salam”,
Perdão, retorno, abraço…
Dá-nos a tua PAZ,
Essa PAZ marginal que soletra em Belém
E agoniza na Cruz
E triunfa na Páscoa.

Dá-nos, Senhor, aquela PAZ inquieta,
Que não nos deixa em PAZ!

Pedro Casaldáliga.

*Poesia postada no blog na ocasião do aniversário de 88 anos deste amado bispo, poeta e profeta da América Latinanesta última terça-feira, 17 de fevereiro de 2016.

Quarta-feira de cinzas.

Iniciamos a Quaresma com o rito das Cinzas que nos faz lembrar o início e a finitude da nossa breve temporada por este mundo: “lembre-se que você é pó e, ao pó vai voltar”. Não se trata de uma predição, mas de uma real constatação. Não é um vaticínio de mau agouro, mas serena compreensão da presença humana no harmônico concerto da criação. Em processo evolutivo, o universo narra a glória de Deus. Há 52 anos a Igreja no Brasil promove a Campanha da Fraternidade durante a quaresma. Renovado apelo para que tornemos históricos e reais os ritos celebrados neste tempo santo. “Casa Comum, nossa responsabilidade” é o tema da CF/16. O lema: “quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24) – convoca à conversão. Inacreditavelmente, sob os sinais das cinzas, o movimento pascal segue seu curso. (Memorial do Senhor – Paróquia N. Senhora do Carmo. Diocese de São Miguel Paulista)

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