CEBS: OS DESAFIOS DE UMA IGREJA EM SAÍDA.

Publicado originalmente em Caminho pra casa .

As Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s) atravessam os quase 30 anos de democratização do Brasil. Por isso, seus membros em especial nas cidades, são símbolos do que há de mais valioso na luta contra a ditadura civil militar e a dominação do capitalismo neoliberal: a resistência mística por outros mundos possíveis. Todavia, os rostos atravessados de tempo não escondem o desamparo político sentido por toda a militância social que o engloba. A forte análise que elaboram seus quadros também não escondem o maior desafio desses pequenos grupos espalhados pelo Brasil: a renovação de seus membros.

290916-NuUPwKXVKMiJTA igreja do Brasil perdeu o trem. Em todas as reuniões de grupos que ouvimos o povo falar, o trabalho de educação popular precisa ser retomado desde o início. A dimensão sociopolítica do Cristo tem de ser saboreada em banquete semanal e reafirmar o papel do cristão de oposição à sociedade capitalista, é a tarefa pedagógica inicial. Por isso, reunidos em pequenas comunidades e até mesmo fora de comunidades – dado que foram expulsos após avanços conservadores nas dioceses do Brasil inteiro -, a mística dos mártires beberá das idiossincrasias de um Brasil de autoritarismo nas periferias onde morrem milhares de jovens negros e pobres e de um feminicídio velado, sobretudo pelas igrejas que fazem campanha contra a diversidade de gênero.

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GENTE QUE NOS FAZ SONHAR COM UM MUNDO MELHOR

Texto originalmente publicado em Blog Luis Miguel Modino em espanhol.

Olá a todos e todas,

Os avanços tecnológicos nos dão a possibilidade de estabelecer contatos com pessoas distantes e ir aproximando as distâncias que nos separam. Por este motivo, entrou em contato comigo Eduardo Brasileiro, um jovem que faz parte de um coletivo chamado “Igreja Povo de Deus em Movimento”, nascido na Zona Leste de São Paulo, uma região com problemas sociais históricos.

O propósito deste coletivo é levar a cabo uma articulação de Igrejas e Movimentos Sociais que permita construir um novo Brasil a partir de um projeto popular. Movidos por isso, durante alguns meses, fomos vendo a possibilidade de fazer realidade um projeto “Igrejas e periferias”, de juntar as experiências da periferia de São Paulo com essa periferia do Brasil, que é a Amazônia. Continuar lendo

MENSAGEM DE NATAL 2017

Sem título

Por Pe. Paulo Sérgio Bezerra.

“A GRAÇA DE DEUS SE MANIFESTOU” (Tt 2,11)

1. Um Natal em tempo de crise:
O Natal de 2017 nos encontra no “olho do furacão” de uma crise, talvez sem precedentes, se considerada em proporções globais:
-o sistema capitalista, em crise mundial, defende seus próprios interesses. Enrijece seus mecanismos de opressão contra as massas empobrecidas para defender sua hegemonia.
-os eleitos “representantes do povo” se curvam diante das exigências do capital e, despudorados, golpeiam seus representados.
-o “Grito da Mãe Terra”, ferida de morte pela avidez destruidora de todos os recursos naturais, não é suficientemente levado a sério, embora inúmeras Conferências Mundiais do Clima;
-a crise migratória planetária sem precedentes desafia os assombros xenófobos de países abastados cuja ação colonizadora ainda se impõe violenta e depredadora;
-fundamentalismos religiosos impõem o pensamento único da salvação dos bons e da condenação dos maus. Determinam o agir moral nas sociedades Continuar lendo

A força dos pequenos: a Teologia da Libertação

FÓRUM GLOBAL DO POVO DE DEUS

*Leonardo Boff

Sempre que se celebra um Fórum Social Mundial, três dias antes, acontece também um Fórum Mundial da Teologia da Libertação. Participam mais de duas mil pessoas de todos os Continentes (Coreia do Sul, vários países de Africa, dos EUA, da Europa e de toda a América Latina) que praticam em seus trabalhos este tipo de teologia. Ela implica sempre ter um pé na realidade da pobreza e da miséria e outro pé na reflexão teológica e pastoral. Sem esse casamento não existe Teologia da Libertação que mereça esse nome. Continuar lendo

Três em um, um Deus plural.

trindade
André Rublev.

Celebra-se hoje, entre cristãos, o mistério – e que mistério! – da Santíssima Trindade.

 
O bonito disso, e compreensível também por não-crentes, é esse reconhecimento da diversidade, do múltiplo, do gregário. Em todos os aspectos da vida, em toda a natureza.
 
O monoteísmo não pode ser monotemático. “Sou vário, sou plural, sou mil”, dizia Mário de Andrade. Somos semelhantes a esse Deus da Trindade. Segundo frei João Reinert, franciscano, “o Pai/Mãe ama, o Filho/a é o amado, o Espírito é o amor, e é próprio do amor transbordar”. Criador, criatura, criação!
 
Qualquer totalitarismo unicista, que pretenda reduzir nossa pluralidade, é redutor, medíocre. Somos todos iguais, mas todos diferentes!
Chico Alencar