Até quando Carandiru?

jO teólogo Ronilson Pacheco, afirmou que “o corpo negro caído no chão é templo do espírito”. A história brasileira é marcada pela opressão de tortura a corpos negros e pobres, escritos pelo racismo estrutural da sociedade brasileira. Ainda hoje a instituições pública de “mediação da segurança”, escolhida e ainda hoje validada por boa parte da população, a polícia militar, carrega em seu peito estrelas de todas as chacinas que cometeram, como inclusive a do Carandiru, como objeto de honra. Nela esta derramado o sangue de de homens negros, pobres, mulheres, indígenas e outros. Esta, até hoje nunca sofreu reformas relevantes e reage abruptamente ao pedido de desmilitarização que fora puxado por movimentos sociais bravamente desde a chacina do Carandiru, hoje há 23 anos atrás, e sobretudo na jornadas de junho de 2013. Continuar lendo

Pastoral da Juventude debaterá “A confecção Humana da Bíblia”

Tema: A confecção humana da Bíblia
Lema:
Esperança e Profecia sustentam a caminhada.

EPJ-ARTEA Pastoral da Juventude da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Itaquera se reunirá para mais uma vez celebrar, estudar e lançar seus olhares nas alegrias e esperanças do nosso povo. Esse quinto ano traz a emblemática preocupação de toda a coordenação em buscar o fortalecimento de nossa identidade e de uma formação consistente. Para tanto, nos debruçaremos sobre o tema “A confecção humana da bíblia” uma maior inserção na narrativa bíblica.

O Objetivo é superar a infeliz condição contemporânea do fundamentalismo religioso, a desistoricização da revelação bíblica e a importância do retorno aos seus escritos como fundamento de nossa esperança e profecia até os dias de hoje. Continuar lendo

O QUE NOS UNE É MAIOR QUE O QUE NOS SEPARA

A experiência de juventudes na construção de uma casa comum.
O ecumenismo é a construção de uma casa comum. Comum para todos os povos, etnias e religiões. Onde as bagagens que cada um trás são estendidas num teto onde caiba a de todos e todas, enfrentando as intolerâncias e propondo um relacionamento em que se entregue corações.
A Pastoral da Juventude semeia sua crença no Jesus Cristo Libertador e aprendemos que Deus habita os encontros de amor, e é preciso, saber disso para superar toda corrupção, todo preconceito, toda guerra e conflitos de nossa geração cada vez mais partida. Alimentando a nossa mística de viver no anuncio de encontros de amor, cremos que Jesus, os Orixás, Krishna, Buda, Maomé e outros se encontram na complementação cósmica do universo, sustentando a nossa esperança em viver e apontando para uma humanidade que insistimos em acreditar.
O Ecumenismo não deixa de florescer a utopia de nossa caminhada. Caminhada que fazemos juntas e juntos com o brilho dessa gente que vislumbra os mesmos sonhos. Neste ato abrimos os olhos e, subitamente, deparamo-nos com o real, com o todo, com a existência e somos arrancados do egoismo. Revelado pelo racismo anti-negro, pela perseguição principalmente de cristãos e cristãs as religiões de matriz africana,  pelo patriarcalismo com as mulheres e pelo genocídio dos índios e suas crenças.
Assim desvendamos um mundo onde a crença do sujeito é a nossa descoberta do amor. Envolvidos por uma singular experiência do plural com suas cores, danças, cantos e o rosto dos que já foram atravessamos as fronteiras de homens e mulheres que se fecharam ao mundo e somos envolvidos num desaforado amor pelo todo. A pastoral da Juventude, as comunidades eclesiais de base, e a tradição da teologia latino americana, cultiva um desaforado amor pelo todo.
Ensinamos ao mundo um ecumenismo de justiça e pedimos perdão por toda discriminação em intolerância cometida, entregando as nossas vidas a causa ecumênica:
O que nos une é maior que o que nos separa.
Pastoral da Juventude de Itaquera, Paróquia Nossa senhora do Carmo, Itaquera.
(Texto feito ara a Caminhada Inter-Religiosa em Itaquera “Na mesma fé no mesmo axé”)
EPJ

A evangelização da juventude e o protagonismo juvenil.

Por Eduardo Brasileiro.
 
‘Ritualismos’ e opções pela ‘fuga do mundo’ são a marca majoritária da evangelização das juventudes na Igreja do Brasil.

 

Opção cenográficas que se assemelham a shows buscam fragilizar os participantes para assim se verem tomados por
Celebrações espetáculos, ritualizações da fé, através de discursos e ambientações focadas em mastigar a sensibilidade do jovem e transformá-lo num ser cheio de sofrimento e de pecados, culminando em sua recuperação quando “se encontra com Cristo”. E, sobretudo, a infantilização e dependência do jovem para com a igreja na sociedade de hoje.
 
 
O assunto de evangelização da juventude pouco volta à tona no meio eclesial, bem como nos reduzidos espaços de formação das pastorais da juventude no país. No entanto, a sua perda de prioridade nos condiciona a viver uma histeria coletiva de tendências do marketing e da indústria cultural dentro da igreja e, sobretudo, nas práticas rituais.
 
Em todo o Brasil a prática mais utilizada para evangelizar jovens é tentar afastá-lo do mundo, como se o mundo fosse objeto de afastamento e não de inserção para solucionar seus problemas.
Em todo o Brasil a prática mais utilizada para evangelizar jovens é tentar afastá-lo do mundo, como se o mundo fosse objeto de afastamento e não de inserção para solucionar seus problemas.

Encontros de jovens nas igrejas são marcados principalmente por shows (cristotecas, “barzinhos de Jesus”, etc), celebrações espetáculos, ritualizações da fé, através de discursos e ambientações focadas em mastigar a sensibilidade do jovem e transformá-lo num ser cheio de sofrimento e de pecados, culminando em sua recuperação quando “se encontra com Cristo”. E, sobretudo, a infantilização e dependência do jovem para com a igreja na sociedade de hoje.

 
Poderíamos ficar horas discutindo cada aspecto inerente a esses momentos. No entanto, haja vista que carecemos de espaços de discussão de outras possibilidades, me lanço na contramão do discurso homogêneo de evangelização da juventude e insisto na proposta de um evangelho encarnado no meio do povo e uma espiritualidade engajada em descobrir Jesus nas pessoas, numa proposta reinocêntrica.
 
A prática mais comum dos ensinamentos com a juventude é o enfrentamento com o mundo – onde tudo é mal -, e a criação de um espaço de “fuga da realidade”, fomentando a contenção da discussão dos processos de evolução da adolescência, juventude e a fase adulta, confluindo numa imposição de leis que serão determinantes no amadurecimento, ora de um sujeito fundamentalista, ora de um indivíduo decepcionado com o papel da religião em sua formação.
 
O Papa Paulo VI, implementador das decisões do Concilio Vaticano II, escreveu em 1974, na “Evangelii Nutiandi”,  que “entre evangelização e promoção humana existem laços profundos”. De tal modo, não se pode pensar a evangelização como ação eclesial sem que as preocupações com a promoção humana lhe acompanhem. Ou seja, a preocupação da igreja não deve ser sua autoafirmação nos espaços públicos, com ritualismos e marchas louvando o ego ou um sentimento de pertença a um grupo. Muito pelo contrário, é debruçando-se sobre o ser humano, com todo homem e mulher, e em sua plenitude, é isso que trabalhou a Teologia da Libertação em dar linhas para se pensar uma Pastoral da Juventude.
 
Papa Francisco em visita ao Brasil em 2013, na ocasião da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
Papa Francisco em visita ao Brasil em 2013, na ocasião da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Falando em Papa, Francisco optou, a partir de sua raiz latino-americana, enquanto líder da igreja, por humanizar o papado, fortalecendo gestos, preocupações e palavras que encantem os menores. Frisando ações de protagonismo. E, se protagonismo é mover-se, movimentar-se, neste sentido, vale lembrar o difícil gesto da alteridade dentro da prática das juventudes: a missão. Segundo o Papa Francisco no Brasil em 2013, na ocasião da Jornada Mundial da Juventude (JMJ): ‘Eu peço que vocês sejam revolucionários, que vão contra a corrente; sim, nisto peço que se rebelem: que se rebelem contra esta cultura do provisório’ [1]O trabalho com as juventudes implica envolver sua espiritualidade nos tantos marginalizados do nosso tempo.

Debruçar-se sobre a violência contra a mulher nas periferias e nas igrejas, impregnadas do machismo que julga seu corpo, suas vestes e suas escolhas; sobre o genocídio da juventude negra no Brasil; sobre a intolerância religiosa para com as religiões de matriz africana; ou os diversos casos de morte por homo-lesbotransfobia (palavra que não nos deveria parecer estranha); e, sobretudo, sobre a destruição da terra e a morte dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Reconhecer o protagonismo da juventude deve significar um novo olhar sobre aspectos como a equidade de gêneroidentidade negra, ecumenismo, os direitos LGBTS, dentro e fora de nossas igrejas, além do resgate de elementos da cultura indígena sobre o bem viver (sumak kawsay) em nossa espiritualidade.

Campanha Contra o Extermínio da Juventude da Pastoral da Juventude Nacional
Campanha Contra o Extermínio da Juventude da Pastoral da Juventude Nacional

O desafio da evangelização no século XXI é considerar a importância da religião como espaço de aprimoramento, reconhecimento e engajamento de seus dons a partir da proposta de vida comunitária (reinocêntrica), indo na contramão da sociedade de mercado que tudo mercantiliza, consome e depois descarta. O jovem necessita se reconhecer em outros, por isso a importância das rodas, danças circulares, debates sobre a situação social e econômica de sua comunidade e do mundo, de modo que forje sua maturidade para enfrentar os problemas sociais. Se faz necessário ainda vivenciar seu corpo – sem castrações (proibir sexo) -, e repensar o desenvolvimento de seus desejos e sabores, com responsabilidade e cuidado. 

Desse modo, vivências, dinâmicas, facilitações e experiências de encontros com o outro o permitirão dialogar sobre esses processos, e não o oprimir, na descoberta de uma vida afetiva sadia, cordial e aberta ao pluralismo contemporâneo. Por último, desenvolver uma compreensão histórica, fundamentada na espiritualidade do caminho dos mártires da nossa terra, de uma compreensão do reino, da importância da missão e de um horizonte, no qual a fé deve transpassar a vida em serviço e paixão pelos outros.

 

Pastoral da Juventude: Em busca de uma espiritualidade libertadora
Pastoral da Juventude: Em busca de uma espiritualidade libertadora
Nessa tríade se firma o fundamento sobre qual a evangelização da juventude, ou melhor, a educação no seguimento de Jesus, deve ser praticada, numa pedagogia popular, circular e protagonista, que se encontra na comunidade, no corpo e na alma.
 
AutorEduardo Brasileiro,
Sociólogo, coordena a Pastoral da Juventude em Itaquera e é membro da Igreja Povo de Deus em Movimento.