Catolicismo X Direitos Humanos?

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No passado a Igreja Católica se destacou pela defesa dos direitos humanos, tradição que aparenta se deslocar hoje da prática dos católicos na atualidade segundo pesquisa.

Por Eduardo Brasileiro

“Aborto? Não, que coisa horrível! Estão matando crianças. Pena de morte? Sim, tem gente que merece.” Precisamos refletir. É obvio que a maioria das pessoas que repetem essa frase não fizeram verdadeiramente um processo reflexivo sobre essas questões. Apenas foram conduzidas coercitivamente a esse nicho de taxação político ideológica. O Brasil de 2017 é o país de poucos ouvidos e muitas bocas. Humberto Ecco tinha razão: “as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”. Todos tem opinião, mas as respostas parecem irrefletidas e por isso, pouco compreendidas. “Você é comunista?” “É a favor do aborto?”. Prevalece a distorção trazida por grupos e compartilhadas por milhões de pessoas sem o devido rigor pela verdade.

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No dia 12 de Outubro de 2017, na celebração de 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, a professora Esther Solano, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), e os professores Pablo Ortellado e Márcio Moretto, da USP (Universidade de São Paulo), visitaram a cidade da padroeira do Brasil e fizeram uma pesquisa qualitativa sobre o que pensa o católico. O Estudo mostrou que o público era majoritariamente “mulher (56%, contra 44% de homens), com renda entre R$ 2.810 e R$ 4.690 (29,2%) e ensino médio completo (32,5%). A maior parte (40%) se apresentou como muito conservador, diante de 31,4% dos que se disseram pouco conservador, e 19,3% nada conservador”[1]Da pesquisa constatou-se que o católico médio é muito mais punitivista que o Evangélico[2], tendo 59% dos entrevistados sendo a favor da pena de morte, 81% concordando com a redução da maioridade penal, 70% sendo contrários ao aborto. A pesquisa por si só é muito esclarecedora e guarda um cereja no bolo: 60,3% concordaram que “os direitos humanos atrapalham o combate ao crime”. Esses dados convoca-nos a entrar mar a dentro do catolicismo para entender o que está havendo.

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Mensagem do Papa Francisco ao Cardeal Arns

Ao Nosso venerável Irmão, o Cardeal Paulo Evaristo Arns, OFM, Arcebispo emérito de São Paulo.

13516680_301707560163501_6180110928408809267_nNo Ano da Misericórdia, na festa do Apóstolo São Tomé, Venerável Irmão Nosso, que há 6 meses completaste com alegria o septuagésimo ano de sacerdócio e, no próximo dia 3 de julho, terás a felicidade de celebrar teu jubileu áureo episcopal, contigo exultará toda tua Província religiosa da Imaculada Conceição da Bem aventurada Virgem Maria e também a inteira Ordem dos Frades Menores, uma vez que por muitos anos desempenhaste vários encargos na Família Franciscana.

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Sobre o combate ao Kyriocentrismo

10995450_1008328629194496_6084714743704679389_nO feminino caminho à Deus e caminho de Deus, significa não só o sexo feminino mas significa o feminino em nós, mulheres e homens, como o masculino em nós mulheres e homens, e esse feminino e masculino que somos cada um de nós, é capaz de se aproximar da outra e do outro. Ouvir, ver e sentir sua dor e seu lamento. E dizer, primeiramente baixinho: o amor se fez carne em mim, e se o amor se fez carne em mim, e em nós, tudo pode ser manifestação desse amor, como tudo pode ser manifestação do desamor. Então eu acredito que esse Espírito de vida que está em cada gênero, em cada sexo, em cada ser sexuado e que está também nos seres animais, vegetais e no universo inteiro, esse espírito está nos chamando para termos uma especial atenção à vida das mulheres que sofrem violência domestica, violência social, do trabalho, dos meios de comunicação e violência das igrejas.

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Ivone Gebara,
filósofa e teóloga feminista/ecofeminista. Ocasião em que proferiu a homilia da Paróquia Nossa Senhora do Carmo em Itaquera, São Paulo, o tema: “O Feminino caminho de Deus e caminho a Deus”.

Cristo Rei

12239594_858725840909053_5749967401463267558_nEstamos na última semana do ano litúrgico encerrado domingo passado com a festa de Cristo, Rei do Universo. Ainda sob inspiração desse título dado ao Senhor Jesus, vale lembrar: Os cristãos católicos, ortodoxos e evangélicos têm Jesus como o centro de suas vidas e da História. Não significa que devam impor a todos os seres humanos sua crença. Antes, porém, pelo batismo, devem testemunhar o Evangelho do seu Senhor como serviço à humanidade. Agradecemos à providência divina ter-nos preparado um Papa, neste terceiro milênio, que encaminha a Igreja para o testemunho da “cultura do encontro” e para sua singular contribuição com os “processos históricos” de inclusão social e de “cuidado para com a Casa Comum”. Que os cristãos, sobretudo, católicos, assumam, com o Papa Francisco, a reforma da Igreja na humilde confissão de que “Jesus Cristo é o Senhor”. Lembrando sempre que o seu “reino não é daqui” (Jo 18 36)
AutorPadre Paulo Bezerra.
Igreja Povo de Deus em Movimento.

Minha fé

por Ivone Gebara.

Parece tão simples discorrer sobre a fé se apenas repetirmos o Catecismo que nos foi ensinado. A gente decorava as verdades da fé e discorria sobre elas como aula bem aprendida. A lembrança da fé como virtude teologal, como força dada por Deus para sustentar nossa vida diária na linha do bem e da justiça fez parte da formação religiosa de muitas pessoas. A fé tinha apenas caráter construtivo positivo, estava só na direção do bem a todas as pessoas. Entretanto, quando a pergunta vem depois de muitos anos vividos as respostas do Catecismo, embora conservem sua pertinência, já não fazem eco de nossa verdade, ou melhor, da verdade de minha fé nos limites de meu hoje. Continuar lendo

Polícia e direitos humanos

16ago2015---moradores-jardim-munhoz-junior-em-osasco-na-grande-sp-protestam-pedindo-a-o-fim-da-pm-e-a-apuracao-da-chacina-que-aconteceu-na-regiao-e-deixou-18-mortos-a-suspeita-da-policia-civil-e-que-1439757733120_956x500

O principal desafio para os defensores dos direitos humanos e para quem sonha com políticas de segurança pública baseadas na promoção de cidadania é superar  a oposição entre polícia e direitos humanos. Esse é o pano de fundo de dramas cotidianos provocados pela política de guerra as drogas, da qual não há vencedores. A tragédia carioca, paulistana e brasileira é ver homens de preto, quase todos pretos, matando homens pretos. Continuar lendo

Dom Enrique Angelelli: Profeta e Bispo dos Pobres

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ARGENTINA * 04/08/1976

Um autêntico pastor, segundo o Evangelho dos Pobres, em La Rioja Argentina, “Terra Adentro”. Solidário com seu povo, foi perseguido, intimado e viu martirizados seus colaboradores mais íntimos. Exemplo maior na tradição da teologia da libertação.

Enrique Angelelli era bispo da província de La Rioja, na Argentina, quando foi morto no dia 4 de agosto de 1976, pelo regime militar daquele país. Há dois anos, ao completar os 30 anos da morte do bispo, cuja vida e ação ficaram fortemente arraigadas na vida da igreja e da sociedade argentina, o governo de Néstor Kirchner reabriu o caso,  investigando se realmente foi simplesmente um acidente automobilístico que matou o bispo.

Sentiu a solidão episcopal. Mas continuou fiel. “É preciso seguir andando”, repetia. “Como um ouvido ao Evangelho e outro ao Povo”.“Não precisa ter medo de se meter no barro”.

Odiado pelos latifundiários e pela ditadura militar, caiu no meio do caminho, com os braços abertos em cruz, num acidente fingido. A opinião pública nacional e internacional e até a declaração de alguns carrascos desvendaram a verdade. Agora, se completando os trinta e oito anos de seu martírio, o testemunho deste bispo, profeta e amigo do povo, cresce como uma das mais autênticas glórias da Igreja Latino-americana. O papa Paulo VI tinha por ele particular estima e o apoiou nas horas difíceis.

Para saber mais: Angelelli, a voz do bispo mártir

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