Há um Deus que está do nosso lado.

 

Matheus Cosmo

E o céu deixaremos
aos anjos e aos pardais.
(Heinrich Heine)

            Talvez por conta da conhecida Bancada da Bíblia, somada a do Boi e da Bala, muitopsocial se tem dito e escrito sobre o avanço de um alto teor conservador e fundamentalista na sociedade brasileira, especialmente na intitulada “nova classe média” que nada mais é do que a expressão de uma classe trabalhadora que conseguiu uma ascensão econômica nos últimos anos, em parte graças a algumas das políticas consolidadas nos governos do Partido dos Trabalhadores – o mesmo partido que não conseguiu mobilizar nem conscientizar essa mesma classe de sujeitos e que, por isso, hoje a encontra voltada, exalando um sentimento de ódio profundo, contra seus métodos de governo e suas pautas políticas. É sempre preciso culpar alguém pelos estragos feitos e pela interminável crise. É conveniente, portanto, dizer que a culpa é do PT, sem que se perceba que tanto o verbete culpa como crise constituem dois dos pilares de edificação do próprio sistema capitalista. Marshall Berman dizia que ilustrar uma sociedade em completo caos, em um processo de crise profunda, é apenas afirmar que tudo continua extremamente bem aos olhos do capital: a destruição – ou, melhor, a profunda sensação de uma constante crise e destruição – é parte de seus componentes essenciais. Nessas circunstâncias, não é de se estranhar que essa mesma massa desorientada, que protagonizou algumas das últimas manifestações de Junho de 2013, busque amparo, proteção e orientação na religião, na figura de um Deus onisciente, onipresente e onipotente. Quando a vida se revela como um impasse, nada melhor do que designar a um Outro a resolução de todos os problemas – e, se algo errado acontecer, será apenas a expressão de sua vontade. O sujeito apresenta-se como um mero veículo de manifestação de uma verdade que o ultrapassa. Contudo, graças a Deus, eu diria, alguns grupos já parecem caminhar na direção oposta. Continuar lendo