Há um Deus que está do nosso lado.

 

Matheus Cosmo

E o céu deixaremos
aos anjos e aos pardais.
(Heinrich Heine)

            Talvez por conta da conhecida Bancada da Bíblia, somada a do Boi e da Bala, muitopsocial se tem dito e escrito sobre o avanço de um alto teor conservador e fundamentalista na sociedade brasileira, especialmente na intitulada “nova classe média” que nada mais é do que a expressão de uma classe trabalhadora que conseguiu uma ascensão econômica nos últimos anos, em parte graças a algumas das políticas consolidadas nos governos do Partido dos Trabalhadores – o mesmo partido que não conseguiu mobilizar nem conscientizar essa mesma classe de sujeitos e que, por isso, hoje a encontra voltada, exalando um sentimento de ódio profundo, contra seus métodos de governo e suas pautas políticas. É sempre preciso culpar alguém pelos estragos feitos e pela interminável crise. É conveniente, portanto, dizer que a culpa é do PT, sem que se perceba que tanto o verbete culpa como crise constituem dois dos pilares de edificação do próprio sistema capitalista. Marshall Berman dizia que ilustrar uma sociedade em completo caos, em um processo de crise profunda, é apenas afirmar que tudo continua extremamente bem aos olhos do capital: a destruição – ou, melhor, a profunda sensação de uma constante crise e destruição – é parte de seus componentes essenciais. Nessas circunstâncias, não é de se estranhar que essa mesma massa desorientada, que protagonizou algumas das últimas manifestações de Junho de 2013, busque amparo, proteção e orientação na religião, na figura de um Deus onisciente, onipresente e onipotente. Quando a vida se revela como um impasse, nada melhor do que designar a um Outro a resolução de todos os problemas – e, se algo errado acontecer, será apenas a expressão de sua vontade. O sujeito apresenta-se como um mero veículo de manifestação de uma verdade que o ultrapassa. Contudo, graças a Deus, eu diria, alguns grupos já parecem caminhar na direção oposta. Continuar lendo

Reflexões sobre a sexualidade humana

Maria Inês de Castro Millen*
Corpos entrelaçados
A Teologia Moral traz, portanto, algumas propostas para a reflexão atual sobre a sexualidade humana. A primeira é a de um retorno às fontes bíblicas. A referência moral dos cristãos é Jesus Cristo. Nesse horizonte, é bom recordar o que disse o Papa Bento XVI, na introdução à encíclica “Deus é Amor”: “No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, assim, o rumo decisivo”. A verdade é esta:
No cerne, no coração, nas entranhas do Novo Testamento está Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem. E a grande novidade da ética cristã está aí revelada. O Pai oferece, agora, tudo. […] Jesus Cristo é a Nova Aliança, aquele que, na unidade com o Pai e na solidariedade com toda a humanidade, declara a verdadeira lei da Aliança: a Lei do Amor. Não um amor qualquer, mas aquele já demonstra do aos seus discípulos, que são convocados a vivê-lo na solidariedade, na oferta e no serviço (Jo 15,12-17) (Millen, 2005).
A Lei do Amor convida a cada um, na liberdade, a “ser para o outro”, a “carregar os fardos uns dos outros” (Gl 5,13b; 6,2). Assim, as perspectivas bíblicas da Teologia Moral, longe de tentar extrair das Escrituras um catálogo de normas para crer e viver, buscam, em sintonia com as propostas do Vaticano II, apreender os temas de destaque da revelação divina para que eles possam nutrir a vida espiritual das pessoas concretas, inseridas na história de seu tempo.

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A PAIXÃO DE LAURA E A PRECE DO POVO.

folheto

Na noite deste sábado, Laura de Vermont, transexual de 18 anos, foi brutalmente assassinada por 2 policiais na Zona Leste de São Paulo, na avenida Nordestina, Vila Curuça. (Veja a reportagem da PONTE JORNALISMO: http://ponte.org/pms-sao-presos-por-atirar-e-mentir-sobre-…/)

Ela saia de uma balada sangrando e policiais a encontrariam e dariam um fim a vida dela, como carrascos do império do preconceito, da intolerância e sacerdotes da banalidade do mal.

Laura, teve seu vida parada. Seu corpo maltrado. Uma vida ceifada ali, numa esquina do canto da Zona Leste de São Paulo.
No domingo pela manhã, às 10h, na mesma zona leste de São Paulo, em Itaquera poucos quilômetros onde o sangue de Laura foi derramado, a paróquia N. Senhora do Carmo, rezava 4 preces pelo mal estar no mundo que fazia o sangue dessa meninas e de tantxs outrxs ser derramado:

folheto“Para que a ofensiva homofóbica, fundamentalista e histérica presente no Congresso Nacional (e nas ruas) seja enfrentada com ousadia e serenidade; pelo ascenso das causas libertárias, suplicamos”

Sabendo desta história, a nossa comunidade teria feito diferente. Por um instante ajoelharíamos pelo corpo violentado de mais um ser humano. Daríamos as mãos relembrando o quanto precisamos nos interligar buscando a justiça, e por fim, nas ruas de Itaquera levantaríamos cartazes: “chega de intolerância, chega de extermínio da população LGBT”!

Porque a vida se protege denunciando e acolhendo, não calando.

Para que nunca mais nos esqueçamos, que um dia Laura, morreu pela sua liberdade, pelos seus sonhos, por nossa dignidade e por nossas mãos cheias culpa dessa violência.

Perdão, Laura.

AutorEduardo Brasileiro, Coordena a Pastoral da Juventude da Paróquia N. Senhora do Carmo.

Para Saber mais:
https://www.facebook.com/315719208455445/photos/pb.315719208455445.-2207520000.1435117082./1070238806336811/?type=1&theater

Manifesto ‘Igreja e Sexualidades: um diálogo necessário’.

joãozinho30

O que queremos?
Igreja – Povo de Deus – em Movimento, há 5 anos presente na Zona Leste de São Paulo, articulada por diversas paróquias e formada por leigos(as), religiosos (as) e padres, busca promover um diálogo sobre as respostas da teologia e da sociedade à emergência de questões relativas à(s) sexualidade(s) no mundo contemporâneo. Um coletivo que enseja irmanar experiências religiosas que sirvam à luta pela dignidade humana, com o enfoque “Religiões Construtoras de Justiça e Paz”.

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