Há um Deus que está do nosso lado.

 

Matheus Cosmo

E o céu deixaremos
aos anjos e aos pardais.
(Heinrich Heine)

            Talvez por conta da conhecida Bancada da Bíblia, somada a do Boi e da Bala, muitopsocial se tem dito e escrito sobre o avanço de um alto teor conservador e fundamentalista na sociedade brasileira, especialmente na intitulada “nova classe média” que nada mais é do que a expressão de uma classe trabalhadora que conseguiu uma ascensão econômica nos últimos anos, em parte graças a algumas das políticas consolidadas nos governos do Partido dos Trabalhadores – o mesmo partido que não conseguiu mobilizar nem conscientizar essa mesma classe de sujeitos e que, por isso, hoje a encontra voltada, exalando um sentimento de ódio profundo, contra seus métodos de governo e suas pautas políticas. É sempre preciso culpar alguém pelos estragos feitos e pela interminável crise. É conveniente, portanto, dizer que a culpa é do PT, sem que se perceba que tanto o verbete culpa como crise constituem dois dos pilares de edificação do próprio sistema capitalista. Marshall Berman dizia que ilustrar uma sociedade em completo caos, em um processo de crise profunda, é apenas afirmar que tudo continua extremamente bem aos olhos do capital: a destruição – ou, melhor, a profunda sensação de uma constante crise e destruição – é parte de seus componentes essenciais. Nessas circunstâncias, não é de se estranhar que essa mesma massa desorientada, que protagonizou algumas das últimas manifestações de Junho de 2013, busque amparo, proteção e orientação na religião, na figura de um Deus onisciente, onipresente e onipotente. Quando a vida se revela como um impasse, nada melhor do que designar a um Outro a resolução de todos os problemas – e, se algo errado acontecer, será apenas a expressão de sua vontade. O sujeito apresenta-se como um mero veículo de manifestação de uma verdade que o ultrapassa. Contudo, graças a Deus, eu diria, alguns grupos já parecem caminhar na direção oposta. Continuar lendo

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Homilia de dia dos pais – onde está teu tesouro aí estará também teu coração!

Paróquia N. Sra. do Carmo – Homilia no dia dos pais 
11 agosto 2013  – Sb 18, 6-9; Sl 32; Hb 11, 1-19; Lc 12, 32-48)

PE.PAULO BEZERRA*

I – “Onde está o teu tesouro aí estará também teu coração”. Saudação aos pais sem reducionismo biológico, no entanto, sem prescindir do biológico:

Acervo: Celeiro da Memória. Douglas Mansur.
Acervo: Celeiro da Memória.
Douglas Mansur.

1.1. Pais do “sacramento de Jesus”, pelo sangue e pelo sêmen geraram filhos concebidos nas relações interpessoais feitas do prazer da aliança desejada, querida e assumida… (“onde está teu tesouro aí estará também teu coração”)

 1.2. Pais desejosos de mais filhos que viram-se detidos pelos condicionamentos naturais resultantes em abortos espontâneos… (“onde está teu tesouro aí estará também teu coração”)

1.3. Pais testemunhas do crescimento dos filhos: no vigor da alma e do corpo acompanharam e foram aprendendo, com o desenvolvimento dos filhos, a contemplá-los como autônomos e não mais dependentes de sua paternidade… (“onde está teu tesouro aí estará também teu coração”)

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O QUE NOS UNE É MAIOR QUE O QUE NOS SEPARA

A experiência de juventudes na construção de uma casa comum.
O ecumenismo é a construção de uma casa comum. Comum para todos os povos, etnias e religiões. Onde as bagagens que cada um trás são estendidas num teto onde caiba a de todos e todas, enfrentando as intolerâncias e propondo um relacionamento em que se entregue corações.
A Pastoral da Juventude semeia sua crença no Jesus Cristo Libertador e aprendemos que Deus habita os encontros de amor, e é preciso, saber disso para superar toda corrupção, todo preconceito, toda guerra e conflitos de nossa geração cada vez mais partida. Alimentando a nossa mística de viver no anuncio de encontros de amor, cremos que Jesus, os Orixás, Krishna, Buda, Maomé e outros se encontram na complementação cósmica do universo, sustentando a nossa esperança em viver e apontando para uma humanidade que insistimos em acreditar.
O Ecumenismo não deixa de florescer a utopia de nossa caminhada. Caminhada que fazemos juntas e juntos com o brilho dessa gente que vislumbra os mesmos sonhos. Neste ato abrimos os olhos e, subitamente, deparamo-nos com o real, com o todo, com a existência e somos arrancados do egoismo. Revelado pelo racismo anti-negro, pela perseguição principalmente de cristãos e cristãs as religiões de matriz africana,  pelo patriarcalismo com as mulheres e pelo genocídio dos índios e suas crenças.
Assim desvendamos um mundo onde a crença do sujeito é a nossa descoberta do amor. Envolvidos por uma singular experiência do plural com suas cores, danças, cantos e o rosto dos que já foram atravessamos as fronteiras de homens e mulheres que se fecharam ao mundo e somos envolvidos num desaforado amor pelo todo. A pastoral da Juventude, as comunidades eclesiais de base, e a tradição da teologia latino americana, cultiva um desaforado amor pelo todo.
Ensinamos ao mundo um ecumenismo de justiça e pedimos perdão por toda discriminação em intolerância cometida, entregando as nossas vidas a causa ecumênica:
O que nos une é maior que o que nos separa.
Pastoral da Juventude de Itaquera, Paróquia Nossa senhora do Carmo, Itaquera.
(Texto feito ara a Caminhada Inter-Religiosa em Itaquera “Na mesma fé no mesmo axé”)
EPJ